ENTREVISTAS > ENTREVISTA PEDRO PEREIRA

(versão de impressão do desdobrável)

Tânia Mendes: Qual é o conceito base do IndieLisboa? Em que é que o IndieLisboa se diferencia de outros festivais de cinema realizados em Portugal, nomeadamente, o Douro Film Harvest ou o Estoril Film Festival?
Pedro Pereira: O IndieLisboa é um festival de cinema internacional, cuja programação se caracteriza pela apresentação de longas e curtas metragens, obras de ficção, filmes de animação, experimentais e documentários. É, talvez, a grande diferença em relação ao restante panorama de festivais nacionais, o de ser verdadeiramente generalista. Durante 11 dias, o festival decorre em diferentes salas de cinema da cidade de Lisboa, promovendo uma dinâmica urbana quer de espaços culturais, quer na circulação de públicos.
O IndieLisboa tem como principal objectivo promover e divulgar obras e autores, nacionais e estrangeiros, através do incentivo à criação autoral na área do cinema e à circulação das obras e de autores em território nacional e internacional. Tenta aproximar o universo do cinema contemporâneo do maior número de espectadores - públicos especializados e não-especializados, adultos e infanto-juvenis, como é o caso do IndieJúnior (programação e actividades dedicadas ao mais novos).


T. M.: Presumo que, neste momento, a próxima edição do IndieLisboa esteja já a ser preparada. Como é feito o planeamento e a gestão de todos os recursos financeiros, logísticos, humanos, a própria programação, etc, até à data da apresentação do evento?
P.P.: Dada à sua dimensão e o seu carácter internacional, uma edição do IndieLisboa implica um planeamento exigente. Desde a abertura das inscrições, passando pelo processo de selecção, até à apresentação dos filmes.
A Zero em Comportamento é a Associação Cultural que promove o IndieLisboa. Tem uma estrutura de produção fixa que garante a realização de diversos projectos ligados à exibição de cinema, mas que dedica a maior parte do seu tempo à produção do festival. Mais perto da realização do evento, o grupo de trabalho cresce gradualmente, até se transformar numa equipa de 50 pessoas, apoiados por 120 voluntários.
A programação é garantida por um painel de programadores, sob coordenação da direcção do festival. Para além de participarem activamente em festivais de cinema por todo o mundo, os programadores analisam as cerca de 4.000 candidaturas recebidas anualmente para a competição do IndieLisboa.
A gestão financeira e dos recursos de financiamento implica um contacto com os parceiros do festival o ano inteiro e a procura de novas parcerias que garantam a exequibilidade financeira do projecto.

T. M.: Qual é o “target” do Festival e quais as estratégias promocionais e de marketing utilizadas para comunicar o evento e qual é, na sua opinião, a principal vantagem da utilização das redes sociais por parte da marca?
P.P.: O Target principal do IndieLisboa são jovens adultos entre os 21 e os 40 anos, residentes na grande Lisboa e conselhos limítrofes, frequentadores de actividades culturais e espectadores assíduos de cinema. Para além disso procura chegar ao público em geral, alargando o espectro de influência e conquistando novos públicos para o festival e o cinema. Os objectivos da comunicação passam por aumentar a notoriedade do festival junto de públicos potenciais, posicionar o IndieLisboa como evento organizado, simultaneamente, para os públicos em geral e especializado, de acordo com as suas diversas vertentes. Procura ainda contribuir para posicionar Lisboa (e Portugal) enquanto palco privilegiado de actividade e criatividade culturais e promover um pólo de interculturalidade e de partilha de conhecimento e know-how em Lisboa, com a consequente dinamização da vertente educativa e formativa do festival. A forma de atingir esses objectivos passa por uma comunicação integrada, que engloba publicidade, assessoria de imprensa, divulgação (site, newsletter, redes sociais, distribuição de materiais, visibilidade nos espaços) e eventos.. As redes sociais são neste momento um instrumento fundamental na comunicação da marca porque permitem atingir um segmento relativamente abrangente de público de forma mais directa e informal que a grande maioria das outras formas de comunicação institucional. O grau de liberdade em termos de utilização de redes sociais é mais elevado e a comunicação assenta sobretudo em imagens (fixas e em movimento), o que lhe faculta um carácter muito mais simples e directo. O público tem menos resistências do que às formas mais generalizadas de comunicação com as marcas.


T.M.: Como é feita a gestão de patrocínios? Obedece a que critérios?
P.P.: O IndieLisboa procura marcas que se queiram associar e que se queiram envolver com o festival, que compreendam a dinâmica da programação, que respeitem um sentido estético e que não ponham em causa o verdadeiro espírito do Indielisboa - a apresentação do melhor cinema de qualidade. Mais do que patrocinadores, o IndieLisboa procura parceiros.

T.M.: Compensa patrocinar o Festival? Qual a vantagem competitiva dos patrocinadores apostarem na marca “IndieLisboa”?
P.P.: A notoriedade do festival tem levado cada vez mais parceiros a apoiarem o evento que tem um relacionamento muito forte com o seu público e a imprensa. Estar associado ao IndieLisboa é estar associado ao mais importante festival de cinema do País e a um evento que já conquistou o seu espaço no panorama cultural nacional e internacional, tornando-se numa oportunidade de comunicação para as marcas e dos seus produtos e serviços.. O crescimento do próprio festival, dá a notoriedade e o reconhecimento que possibilita dar o retorno às marcas.. A programação diversificada, composta por ante-estreias, primeiros filmes, obras inéditas, competições e homenagens para todo o tipo de públicos traz uma riqueza muito grande ao festival e consequentemente às marcas associadas que ficam envolvidas com uma vasta estratégia de comunicação e cobertura mediática.

T.M.: O patrocínio é a principal fonte de financiamento do evento ou o IndieLisboa consegue “viver” apenas da bilheteira?
P.P.: Para além de receitas próprias de bilheteira, o apoio financeiro do festival tem por base financiamentos públicos e privados. O financiamento privado tem o maior peso e de ano para ano aumentam o número de marcas que se associam ao crescimento do festival.. Estes parceiros são o garante da realização do evento quer em termos financeiros, quer em apoio em serviços.

T.M.: Ainda em relação à venda de bilhetes, como é feita a fixação de preços? Obedece também a alguma estratégia?
P.P.: O preço dos bilhetes não sofreu grande alteração desde a primeira edição do festival. Ao longo dos anos, mais do que aumentar o preço, procurou-se aumentar o número de espectadores e consequentemente o número de bilhetes vendidos. A criação de pacotes de bilhetes (pacotes de 10 e 20 bilhetes a um preço mais reduzido) foi uma das estratégias adoptadas para potenciar esse aumento.

T.M.: Em termos de visibilidade, o retorno é positivo? Tem noção do impacto que o Festival IndieLisboa tem, por exemplo, a nível internacional?
P.P.: Em termos de visibilidade nacional o IndieLisboa tem vindo a ganhar notoriedade e um espaço como o festival de cinema contemporâneo e de qualidade com mais visibilidade nacional. O retorno é extremamente positivo na medida em que tem contribuído para a criação de novos espaços de divulgação do cinema. Para muitos autores portugueses, o festival traduz-se numa oportunidade única para apresentar o seu trabalho. Quanto ao impacto de nível internacional, de ano para ano tem-se verificado um aumento do número de candidaturas internacionais à competição do festival, bem como o número de pedido de acreditações da imprensa estrangeira e dos profissionais do sector tem vindo a crescer significativamente. O IndieLisboa é já um mecanismo de descoberta de novas obras e autores, nacionais e internacionais. O crescente número de extensões internacionais, realizadas após o festival, onde se leva o IndieLisboa além fronteiras, e os crescentes convites para programação de outros ciclos, mostras de cinema e programas específicos em festival de cinema internacionais, são também o espelho desse impacto que o festival já tem no estrangeiro.

T.M.: Há festivais do género que com o passar do tempo perdem alguma notoriedade. Há festivais que acabam eventualmente por desaparecer. Por que é que acha que isto acontece?
P.P.: O grande desafio dos festivais de cinema, como dos eventos em geral, é o de se saberem reinventar sem perder os seu propósitos, objectivos e qualidade. No caso do IndieLisboa, a programação é o elemento chave dessa garantia, sendo necessário manter um trabalho constante de procura e pesquisa de filmes e de novos autores para ir ao encontro das exigências dos espectadores.

T.M.: Para terminar, gostaria de deixar alguma mensagem a todos os fãs do IndieLisboa que com toda a certeza há no IPAM?
P.P.: Sim, que continuem a aproveitar 11 dias de oportunidades de ver a melhor selecção de cinema mundial em Lisboa.

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